O anúncio da descontinuidade do e-Sedex foi feito em meio às tentativas dos Correios de reequilibrar as finanças da empresa, que enfrentam fortes dificuldades. O produto, lançado em 2000, era o serviço de encomenda expressa para produtos adquiridos pela internet e com até 15 quilos, com preços diferenciados para as lojas online que contratassem essa modalidade. Segundo os Correios, o e-Sedex atendia apenas 250 cidades pelo Brasil.
“A proposta do e-Sedex é que fosse 20% mais barato do que o Sedex, com a mesma agilidade”, explica Bandeira, da ABComm. A ideia é que a entrega fosse feita em até 3 dias. No entanto, as reclamações de comerciantes e clientes sobre atraso não eram raras. “A gente percebe um movimento dos Correios de investir em tecnologia para diminuir essa fama de problemas com atrasos. Agora, a gente espera que isso se concretize”, diz Bandeira.
Agora, as empresas de comércio eletrônico passam a contar com os outros serviços existentes de entrega dos Correios – o PAC e o Sedex, além da Logística Reversa. Ainda de acordo com os Correios, esses serviços atendem a todos os 5.570 municípios do país.
“Esses pacotes oferecem benefícios que vão desde redutores de preços até a possibilidade de um pós-venda dedicado. Sendo assim, ao invés de um único serviço, todos os serviços de encomendas dos Correios agora são destinados ao comércio eletrônico. O que se pretende é agregar valor à prestação dos serviços para esse setor”, afirmaram os Correios em nota.
A estatal anunciou um novo produto voltado às empresas de comércio eletrônico, o Correios – Log (ou e-Fulfillment). Segundo a empresa, o novo serviço possibilita “à loja virtual ter toda a sua operação de armazenamento, preparação de pedido, postagem, entrega e pós-venda completamente realizada pelos Correios, com otimizações operacionais e de custos para os clientes”. Após a publicação desta reportagem, os Correios enviaram nota ao G1 dizendo que o serviço já está em funcionamento desde setembro de 2016.
Segundo o vice-presidente da ABComm, 60% da carga transportada pelos Correios se refere a entregas do e-commerce. Questionada sobre esse dado, a estatal disse apenas que é “líder no comércio eletrônico”. “Esse sempre foi e continua sendo o principal segmento para nossos serviços de encomendas”, dizem os Correios em nota. “A empresa confirma a parceria com os players do e-commerce e firma compromisso de prestar serviços de encomendas e logística para esse mercado de forma contínua e sustentável.”
Bandeira aponta que o serviço criado pelos Correios em 2000 não acompanhou o crescimento do comércio eletrônico. “O e-Sedex foi criado para atender o mercado de comércio eletrônico quando ele ainda era uma promessa. Com o crescimento, não houve mudança no modelo. Agora, os Correios fazem esse ajuste, […] e encerraram o que era considerado um projeto piloto.”